Domingo, 15 de Abril de 2018, 17h20
NÃO DISSEMINE
HiperNotícias lança campanha contra a Fake News

MAX AGUIAR

Pesquisadores nos Estados Unidos publicaram no início do mês de abril o maior estudo sobre a divulgação de notícias falsas nas redes sociais. Com base em estudos como esse, e principalmente para alertar nossos leitores que nem tudo que se vê nas páginas das redes sociais é verdade, o HiperNotícias lançou a campanha: "Fake News? Nem de brincadeira! Não produza, nem dissemine notícias falsas". A campanha visa a mostrar a importância de ir fundo na investigação e na análise das notícias em contraponto a um número crescente de informações publicadas nas redes sociais sem critério.

 

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Mentiras são difundidas de forma muito mais rápida e abrangente do que as notícias reais. "É como um rastro de pólvora", diz trecho do levantamento. A probabilidade de uma notícia falsa ser compartilhada na internet é até 70% maior do que a de uma notícia verdadeira. E elas se espalham mais rapidamente e alcançam mais gente.

 

No cenário digital há uma falsa sensação de distância e anonimato, quando na verdade uma postagem anônima ou um perfil falso é mais fácil de ser rastreado no ciberespaço.  A afirmação é do mestre e doutor em Direito do Estado pela PUC Universidade Católica de São Paulo e pela Fundação Getúlio Vargas, Diogo Rais, que pesquisa, há seis anos, a relação entre fake news e eleições. "É importante a conscientização de que a Internet é um ambiente coletivo e todos nós somos responsáveis pela sua construção", disse durante o Fórum Nacional – Propaganda eleitoral nas mídias sociais, em Cuiabá.

 

"É importante perceber o papel de cada usuário na Internet e perceber que quando compartilhamos ou escrevemos algo somos nós que estamos fazendo e temos a mesma responsabilidade de quando falamos em qualquer outro lugar. Em matéria de ofensa, quem gera ofensa não é somente quem produz o conteúdo, mas também quem o propaga e difunde. Ela é concretizada a cada instante. A facilidade da comunicação a um clique maquia a ideia de que não temos a responsabilidade diante de tudo aquilo", reforça o especialista.

 

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato grosso, Márcio Vidal, orienta as pessoas a terem cautela na hora de compartilhar uma informação, e afirma que hoje é mais fácil identificar o autor de uma noticia mentirosa na internet do que as que são produzidas em panfletos. “As pessoas ainda não perceberam que diferente da impressão, a tecnologia permite que você rastreie com mais rapidez e identifique os autores de mensagens falsas, tanto as de cunho negativo, como as de cunho positivo”.

 

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Ele ainda diz que o cidadão tem que ter mais responsabilidade e consciência sobre seus atos e que as vítimas podem acionar produtores e divulgadores de fake news na justiça. “Diante de uma noticia por mais impactante que ela seja, tem que haver o cuidado de verificar a veracidade. O momento em que vivemos, faz com que essas situações ganhem maior proporção e com isso é natural que cada vez mais o cidadão busque os seus direitos para reparar possíveis danos. Para isso o Código Penal já prevê os crimes contra a honra”.

 

Mas afinal, quais medidas podem ser tomadas? O Presidente da Comissão de Direito Eletrônico da OAB/MT, Gonçalo Adão de Arruda Santos, esclarece que a primeira providencia é reunir o máximo de provas e registrar uma ata notarial em cartório. “Esse é o caminho mais seguro. Por que se eu simplesmente imprimir, salvar ou gravar as provas, a outra parte pode alegar que não se trata de um conteúdo verídico, hoje com tanta tecnologia é possível, por exemplo, forjar um print”. Em seguida, a vítima pode entrar com uma representação na esfera civil ou penal. Na esfera penal, o crime contra a honra são basicamente, calúnia, difamação e injúria, para esses delitos a pena varia de 3 meses a 2 anos de detenção e multa, já na esfera civil a vitima pode ingressar com uma ação indenizatória por danos morais. O Advogado afirma que as penalidades aplicadas na vida off-line são as mesmas utilizadas na vida on-line.

 

“Se houve o crime, não importa se ele foi praticado na via física ou virtual, ele não deixa de ser crime”. Para evitar boatos, desconfie de notícias alarmantes, leia ela por inteiro, cheque a fonte, confira a data da publicação, pesquise o mesmo assunto em outros lugares e não acredite em tudo que está na rede. Todo cuidado na hora de compartilhar uma noticia, afinal, aqueles que usam a internet como se fosse “terra sem lei”, podem responder por seus atos com base na Constituição Federal e nos Códigos Civil e Penal.



Ainda sobre o estudo americano, os cientistas analisaram mais de 126 mil notícias postadas no Twitter de 2006 a 2017, por mais de três milhões de pessoas, e compartilhadas mais de 4,5 milhões de vezes. Os maiores culpados não são os robôs que espalham informações de forma automatizada, concluiu o estudo. 


"É como uma fofoca que se espalha pelo seu bairro. Quanto mais ela for impressionante, surpreendente, inédita, mais uma pessoa vai querer espalhar. E quem tem essa informação se sente privilegiado, sente que sabe mais que os outros", destacou o advogado Ademar Luis Sotrano, que também participou do evento sobre inverdades da internet.


Sotrano ainda afirma que o jeito como as redes sociais funcionam é um incentivo à propagação de mentiras. "É porque, no modelo de negócio atual, quem publica uma notícia ganha dinheiro a cada clique. E se notícias falsas se espalham mais do que as verdadeiras, elas dão mais dinheiro", completou.

 

O alerta chega, principalmente, num momento que antecede as eleições de 2018, onde uma verdadeira guerra política já se instala nas redes sociais. A utilização de fake news nas eleições é uma prática antiga, mas que tomou outras proporções na era tecnológica.

 

"Os boatos sempre existiram nas eleições, em especial com o uso de panfletos. Porém, o que se tem, hoje, no cenário digital é que aumentou a quantidade desses boatos, bem como a velocidade com que se propagam e a área de abrangência, mas também aumentou os rastros que isso deixa. Os papeis muitas vezes não deixam rastros algum, mas na era digital, tudo o que fazemos deixa um rastro possível de identificação, por mais sofisticado que seja. Então, a punição virá para quem transgrida as normas", explica Diogo Rais. 

 

Portanto, não espalhe notícia falsa. A verdade, em qualquer plataforma, cabe e merece todo respeito. 

 


Fonte: HiperNotícias
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