Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 08h:00

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Documentos contradizem delação de ex-secretário sobre incentivos à Cervejaria Petrópolis

Por: PABLO RODRIGO

O empresário Pedro Nadaf, pode ser o segundo ex-secretário de Estado do Governo Silval Barbosa, a ter colocada em dúvida sua delação premiada que foi recentemente homologada pelo ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal, simplesmente por ter mentido, um dos critérios legais que leva a anulação do benefício.

 

Alan Cosme/HiperNotícias

Pedro Nadaf

 

O primeiro que corre o risco de ter o benefício da delação cancelado é Silvio Correa, que em gravação ao também ex-secretário Allan Zanatta, desmentiu boa parte dos fatos relatados ao Ministério Público Federal, inclusive admitindo ter sonegado informações e bens.

 

Essa gravação serviu para o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, ter ingressado com ação no Supremo Tribunal Federal - STF para esclarecer que os recursos recebidos e gravados de forma ilegal, seriam decorrente de uma dívida do então governador com pesquisas contratadas através do Instituto Mark de propriedade do irmão do prefeito de Cuiabá, fato esclarecido na gravação por Silvio Correa,

 

Silvio Corrêa também teria na gravação feita por Zanatta admitido que não teria cumprido parte do acordo com o ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes. Em seu depoimento ao Ministério Público Federal, Nadaf teria relatado que a Cervejaria Petrópolis teria arcado com parte da propina dada a Éder Moraes por causa dos incentivos para esmagamento de soja no Estado do Paraná, fato nunca ocorrido, nem quanto a propina, nem quanto ao incentivo fiscal. 

 

Pedro Nadaf, assim como o ex-colega de Governo, Silvio Corrêa corre o risco de perder o benefício por ter mentido, sendo que dentro do Ministério Público de Mato Grosso são analisados diversos documentos e fatores como a questão dos incentivos fiscais.

 

Documento de posse da reportagem e datado do final do ano de 2014, último ano do mandato de Silval Barbosa como governador de Mato Grosso e que foi assinado pelo então secretário-adjunto do Industria, Comércio e Mineração, Valério Francisco Peres de Gouveia, recentemente falecido em acidente com sua moto na Bolívia, e encaminhado ao Ministério Público, comprova que a Divisão de Cereais da Cervejaria Petrópolis nunca contou com benefícios fiscais para esmagamento de soja no Paraná.

 

Das três inscrições da Petrópolis, apenas a relativa a Divisão de Cerveja conta com incentivos fiscais, inclusive que apontaram um dos melhores desempenhos em termos de retorno para o Estado, pois a política de incentivos fiscais consiste no não recolhimento de ICMS para que os valores devidos sejam aplicados na ampliação da produção e na geração de emprego e renda.

 

No mesmo documento, o então adjunto Valério Gouveia relata a não existência do benefício fiscal para a soja e os resultados obtidos pela Divisão de Bebidas que desde 2010 foi contemplada com o referido benefício que vencerá ainda em 2020.

 

Segundo relato da Secretaria de Industria, Comércio e Mineração, mesmo com os incentivos concedidos para produção de bebidas, a empresa Petrópolis, investiu próximo de R$ 200 milhões em suas instalações numa área de 411.544,00 metros quadrados e 25.500,00 metros quadrados de área construída. Além disto a empresa gera 1.712 empregos diretos e 82 mil indiretos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Cerveja (CervBrasil).

 

Além do documento que se encontra em poder do Ministério Público de Mato Grosso, os depoimentos de Valério Gouveia e do próprio Pedro

reprodução

cervejaria itaipava

 

Nadaf na CPI da Renúncia e Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o primeiro em 10 de junho e o segundo em 16 de julho respectivamente, comprovariam que nunca houve incentivo fiscal para a Divisão de Cereais da Petrópolis, mesmo existindo legalidade para tal segundo o Protocolo do Conselho Nacional de Política Fazendária Confaz 15/1974.

 

Gouveia e Nadaf relataram aos membros da CPI então compostas pelos deputados José Carlos do Pátio, hoje prefeito de Rondonópolis, Wilson Santos, hoje secretário de Estado de Cidades e Max Russi, hoje secretário Chefe da Casa Civil, não terem concedidos benefícios fiscais a Divisão de Cereais da Cervejaria Petrópolis e os benefícios concedidos a Divisão de Bebidas estarem regulares.

 

Como não se esmaga soja em Mato Grosso para produção de óleo comestível e produção de ração animal, a Divisão de Cereais da Petrópolis esmagaria soja no Paraná e recolheria para o Tesouro de Mato Grosso parte do ICMS decorrente desta operação, mas como não houve interesse este fato nunca ocorreu, mesmo sendo a Petrópolis fornecedora de ração animal para a Alemanha, Itália, França e para a Noruega, que é o maior produtor do mundo de salmão. O farelo de soja de alta proteína para nutrição animal seria concebido a partir de soja orgânica não transgênica produzida em Mato Grosso, mas industrializada no Paraná.

Reprodução

documento nadaf

 

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