Segunda-Feira, 16 de Setembro de 2019, 08h:30

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Problemas

Por: JOÃO EDISOM

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JOÃO EDISOM

Viver é a arte de se envolver, de trabalhar e de encontrar sentido no fazer acontecer. Não é de hoje que a humanidade busca um sentido, seja ele religioso (espiritual), ideológico (político), ou econômico (status quo) como forma de estar e viver. Tanto que o filósofo cubano do século XIX Jose Martí sentenciou que “plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho são três coisas que cada pessoa deve fazer durante a vida”. São coisas que determinam um sinal de existência “plena”. Ou seja, criar soluções!

O momento da humanidade é bastante complicado e principalmente de alguns países (culturas), dentre eles o Brasil, que há prevalência do mote: encontrar problema, publicitar o problema e cultivar o problema para viver dele. Estou falando de não solucionar problemas como forma de existir em função da existência deles os problemas. Ativismo tóxico e corrosivo! 

Quando a pessoa, grupo ou instituição encontra mais sentido no problema que na solução ela não percebe que comete erros. E quando percebe, justifica para não reconhecer. Torna mais fácil desqualificar os oponentes que reconhecer que há erros que precisam ser corrigidos. Lava Jato versus Vaza Jato é um exemplo claro que neste momento está em evidencia, nenhum dos dois reconhecem seus erros. Mas há outros fatores ainda mais graves que este que envolvem meramente corrupção, erros procedimentais e processuais, invasão de privacidade e rackeamento de informações.

Os grandes problemas brasileiros em sua imensa maioria não se resolvem porque há pessoas contratadas e até concursadas para meramente encontrar e publicitar os problemas. Não assistimos os mesmos esforços para solucionar e ou mesmo exterminar o problema. Para alguns é necessário aumentar o problema para contratar mais gente para ocupar postos e engrossar a “passeata” e aumentar o som do grito, mas jamais para solucionar. O fiscal prefere o desonesto ao honesto, o policial o bandido ao cidadão, vivem e se sustentam das mazelas humanas.

Podemos citar outros tais como as questão dos vários tipos de violência, dentre eles o feminicídio, homofobia, racismo, questões ambientais, demarcação de áreas indígenas, sem terras, sem tetos, crime contra a criança e o adolescente, os diversos tipos de aliciamento e perguntar por que não se resolvem? A resposta é simples: a solução extingue funções, salários  e principalmente discursos.

Em função destas questões é possível ver pessoas fumando maconha e condenando o outro que come carne vermelha. Ou ser conta a matança de aves, mas ser a favor do aborto. Por isso que na política é comum ver pessoas criticarem uma situação e, quando eleita ou convocada para resolver, terminam por se tornar cúmplices ou protagonista da causa.

O ativismo é necessário, mas as pessoas tem que entender que ele deverá ser apenas temporário porque aquilo que não tem solução não é problema. E se solucionou não há motivo para continuar o ativismo.

Este mal do culto ao problema não permite que pessoas, partidos e concepções politicas seja capazes de reconhecer seus próprios erros, levando a sociedade a estagnação e ao retrocesso. Precisamos urgentemente ter vontade de resolver, ser resolutivos, progredir, ter obstinação por resolver e eliminar problemas e não cultiva-los ou criar novos como forma de se auto existir.

 

(*) JOÃO EDISON é professor universitário e cientista político.

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