Sexta-Feira, 16 de Agosto de 2019, 18h:06

Tamanho do texto A - A+

Diego Guimarães: "Emanuel está parecendo um bobo da corte"

Por: FERNANDA ESCOUTO

“O prefeito Emanuel está parecendo um bobo da corte ultimamente, que sai falando pelos cotovelos que todo mundo quer estar no palanque dele, mas você não vê ninguém declarando isso abertamente”. A declaração é do vereador de oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), Diego Guimarães (PP) em entrevista exclusiva ao HNT/ Hipernotícias.

divulgacao

diego guimaraes vereador

 Vereador Diego Guimarães (PP)

O vereador eleito pela primeira vez em 2016, com 3.183 votos, falou das dificuldades na política cuiabana e do seu papel como um dos opositores ao governo municipal.

O parlamentar comentou sobre a possível candidatura à reeleição de Emanuel Pinheiro e o apoio do PP (Partido Progressista) nas eleições municipais de 2020.

Confira o bate-papo com o vereador Diego Guimarães:

HNT/HiperNotícias - É seu primeiro mandato eletivo. Qual a sua avaliação sobre a política cuiabana e a forma como se comportam os vereadores?

Diego Guimarães - Eu já conhecia bastante sobre política, sempre gostei. Sou advogado por formação, tenho duas pós-graduações, cursei um mestrado e também fui professor universitário. Você estar do lado do eleitor, de quem gosta da política é uma coisa. Você estar do outro lado, ser político, é outra coisa. Agora eu pude perceber como a politica é um jogo de barganha, o quanto a política é um jogo de toma-lá-dá-cá. Essa política, que infelizmente levou a classe a ficar tão desacreditada perante à população. Uma política que a população já deixou claro que não quer mais. Eu digo que esses dois anos e oito meses de mandato foram de muito aprendizado. A cada dia mais eu entendo que o mandato tem que ser voltado, não para os interesses egoístas do mandatário, mas sim para os interesses da população, que está cobrando cada vez mais. Pessoalmente eu cresci muito, amadureci e aprendi o que é realmente política. Vejo meu mandato com um saldo bem positivo.

"Importante lembrar que a regra que se aplica hoje ao vereador, se aplica ao deputado estadual, ao governador, ao prefeito, ao vice-prefeito e aos membros do Ministério Público que recebem a verba indenizatória"

HNT/HiperNotícias - A oposição tem feito um trabalho bem marcante na Câmara Municipal. Qual é o maior enfrentamento feito pelos vereadores contrários à base do prefeito Emanuel Pinheiro?

Diego Guimarães - Ser oposição é um enfrentamento diário. Eu não consigo pontuar qual foi o maior. O meu maior enfretamento tem sido o transporte coletivo. Baixar a tarifa do transporte coletivo foi uma das maiores entregas que nós tivemos para com a população cuiabana. A licitação do transporte coletivo também tem sido uma luta. Como o grupo, os maiores enfrentamentos foram a CPI do Paletó [CPI instalada para investigar o suposto recebimento de propina pelo prefeito Emanuel Pinheiro, quando ainda era deputado estadual], a CPI da Saúde, o combate ao balcão de negócios que virou a Procuradoria do Município, por conta dos acordos judiciais e extrajudiciais que o procurador Luiz Antônio Possas tem feito. Ao meu ver, isso prejudica demais os cofres públicos.

HNT/HiperNotícias - A Câmara é alvo, corriqueiramente, de assuntos polêmicos e os vereadores acabam sendo malvistos pela população. Como o senhor enxerga, por exemplo, a questão da verba indenizatória que pode ser usada sem comprovação de notas fiscais?

Diego Guimarães - Não mudou nada em relação a verba indenizatórias dos vereadores. Só aconteceu o cumprimento de uma determinação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para que tivesse expresso em lei como essa prestação de contas é feita, que será por apresentação de relatório de atividade. O TCE entendeu que a apresentação por notas fiscais para justificativa de gastos com a verba indenizatória poderia inviabilizar a atividade parlamentar. As vezes você está em um bairro, almoçando em uma marmitaria, muitas vezes o local não tem nota fiscal, esse é um dos exemplos. Importante lembrar que a regra que se aplica hoje ao vereador, se aplica ao deputado estadual, ao governador, ao prefeito, ao vice-prefeito, aos membros do Ministério Público que recebem a verba indenizatória, membros do Poder Judiciário... Então, é a mesma regra para todos, inclusive é a regra usada também no Tribunal de Contas.

HNT/HiperNotícias - Como o senhor vê a possibilidade do prefeito Emanuel Pinheiro se candidatar à reeleição nas eleições municipais de 2020?

"A gente percebe que poucos querem a reeleição do Emanuel Pinheiro (...) A população diz que não perdoa o escândalo do paletó. Temos que ver se até lá ele vai estar elegível, se vai estar solto ainda"

Diego Guimarães -  O prefeito Emanuel está parecendo um bobo da corte ultimamente. Ele sai falando pelos cotovelos de que todo mundo quer estar no palanque dele, mas você não vê ninguém declarando isso abertamente. Ele fala que tem 11 partidos, mas quando muito é um ou outro, sendo que no próprio partido dele tem uma discussão interna com o deputado Valtenir sobre a possibilidade de quem será o candidato do MDB a prefeito de 2020. Ele fica se vangloriando, dizendo que todos admiram sua gestão, mas quem admira? Quem está falando que é bom? Quem está falando que apoia ele? Ele fala demais, e não é o que temos visto nos bastidores da política. A gente percebe que poucos querem a reeleição do Emanuel Pinheiro. Conversando com a população, a gente percebe mais ainda. A população diz que não perdoa o escândalo do paletó. Temos que ver se até lá ele vai estar elegível, se vai estar solto ainda, se não vier novos escândalos que possam afastar ele da prefeitura.

HNT/HiperNotícias - E esse distanciamento do vice-prefeito Niuan Ribeiro em relação a Emanuel Pinheiro?

Diego Guimarães -  O Niuan é meu amigo. Conheço ele dos tempos da faculdade de Direito da UFMT. É um jovem preparado e tem berço político. Acredito só que ele tem que declarar esse rompimento com o Emanuel Pinheiro, não pode deixar para última hora. O Niuan nunca fez uma defesa intransigente do governo Emanuel Pinheiro, mas ele precisa deixar claro esse rompimento. Vir a público e dizer: 'Não participo, nunca participei, se tenho cargos estou entregando, nunca fui secretário, sempre fui excluído, não concordo com as coisas erradas e estou pronto para construir um novo grupo'. A população precisa desassociar ele do Emanuel. Acredito que Niuan vai fazer isso de uma forma expressa. Não dá para adorar dois senhores. Entretanto, Niuan não deve renunciar ao mandato, até porque foi legitimamente eleito, mas ele pode na prefeitura ajudar a fiscalizar as contas públicas, tornar público os erros que ele vê que a gestão municipal teve até o presente momento. Ele não precisa ser um cordeirinho do Emanuel, um aliado.

HNT/HiperNotícias - O líder do prefeito na Câmara, vereador Luís Cláudio (PP), disse que vai apoiar à reeleição de Pinheiro. Como o senhor avalia isso?

"Acredito que ele [vice-prefeito Niuan] tem que declarar esse rompimento com o Emanuel Pinheiro. Não pode deixar para última hora".

Diego Guimarães -  Eu pertenço ao PP. Quando me filiei, li o estatuto do partido. O estatuto não prevê que eu seja obrigado a seguir o que o Luís Cláudio diz. O estatuto não diz que o partido será entregue ou vendido a um prefeito manchado de corrupção, pelo simples fato de ter duas secretarias. Essa relação da troca de favores entre Poderes, entre partidos tem que ser bem pensada. O grande problema que o vereador Luis Cláudio, por ser líder do prefeito, pelo fato do presidente do partido ser secretário municipal, eles acreditam que toda militância do Progressistas pensa como eles. Tem gente dentro da sigla que não quer apoiar, que me procura para falar isso. A democracia pressupõe pensamentos divergentes e ela leva isso para uma discussão macro para posteriormente ser votada dentro de uma convenção partidária. Eu oferecerei alternativas que não seja Emanuel Pinheiro.

HNT/HiperNotícias - O seu nome é um dos avaliados para possível candidato a prefeito da Capital. Quais as chances disso acontecer?

Diego Guimarães -  Eu penso que é muito cedo para falar em nomes. O que os partidos deveriam fazer agora é discutir propostas e sugestões. Meu nome tem sido ventilado. Alguns partidos ligaram, alguns empresários cobram posicionamento, mas eu trato isso com muita parcimônia, muita tranquilidade, sobriedade e converso muito com as pessoas que me ajudaram a chegar na Câmara. Tenho conversado com a sociedade, e nos últimos dias estive no Bairro Pedra 90 com algumas lideranças. É muito cedo para definir uma candidatura para 2020. O momento é para se discutir propostas e não de definir quem será o candidato. Não fico envaidecido com a colocação do meu nome, eu fico feliz porque é resultado do trabalho que a gente vem fazendo. Meu futuro a Deus pertence.

HNT/HiperNotícias - Qual a maior dificuldade enfrentada por um político de Cuiabá?

Diego Guimarães - Ao meu ver é lidar com a Saúde, pois é um tema extremamente sensível à população. É um tema recorrente porque o sistema atual não dá conta de atender, por falta de entregas que deveriam ter sido feitas. O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) já era para ter sido entregue, inaugurado e estar funcionando há mais de dois anos. A Upa do Verdão, por exemplo, o governo municipal pegou com 92% pronto, e até hoje não entregou. Há Unidades Básicas de Saúde que deveriam ter sido entregues em 2017 e não foram entregues até hoje. A falta de insumos também é um problema. A população que mais precisa, nos cobra e isso nos sensibiliza. Hoje temos seis UTI´s infantis fechadas, porque não tem contratação de mão de obra, porque não tem dinheiro. E do outro lado vemos o governo municipal pagar mais de R$ 8 milhões em acordos judiciais que nem deveriam ter sido fechados. Essa discrepância traz para o agente político uma sobrecarga muito grande.

 

"Nesse escândalo do paletó, temos que pensar que o mandato do prefeito são só quatro anos. Quando a resposta não vem nesses quatro anos, a imagem que passa para a população é de que o crime compensa".

HNT/HiperNotícias - O tratamento do Governo do Estado tem sido satisfatório em relação a Cuiabá?

Diego Guimarães -  Eu vejo de forma bem satisfatória, principalmente com a intervenção que eles fizeram na Santa Casa de Cuiabá. Isso é um marco para a Capital, com ênfase na área da Saúde. O Governo do Estado pode ser um catalisador, para fazer uma verdadeira revolução econômica em Cuiabá. A capital precisa se tornar um polo econômico e industrial para gerar empregos. O Estado tem que promover essa revolução econômica em Cuiabá, fazer com que a produção agrícola, que hoje existe no Norte, talvez seja industrializado parte dela aqui na capital. Vamos ver agora, com a Lei dos Incentivos e a vinda de uma ferrovia para Cuiabá, que são alternativas que precisam ser discutidas de forma certa. Mas em um segundo momento, é preciso que o governo atue na economia, nos incentivos, nos atrativos, para que o investidor veja Cuiabá como um polo econômico que pode radiar para todo o Estado.

HNT/HiperNotícias - Para fechar nossa entrevista, fale mais sobre o evento que vai ocorrer na próxima terça-feira (20) na Câmara Municipal, quando será o "aniversário" de dois anos do dinheiro no paletó.

Diego Guimarães -  Nós convocamos na Câmara Municipal uma “comemoração” à impunidade, que é direcionada a três atores. O primeiro, é o prefeito do paletó Emanuel Pinheiro, o protagonista daquela cena colocando dinheiro nos bolsos. E era tanto que chegava a cair do paletó. Os outros dois atores são o Ministério Público Estadual (MPE) e o Poder Judiciário, que têm a responsabilidade de conduzir uma investigação e julgamento, respectivamente. Não é lógico pensar que depois de dois anos de um escândalo tão grave, não ter sequer uma denúncia contra o prefeito Emanuel Pinheiro ou arquivamento, se fosse o caso de inocentá-lo. Agora nós vimos dois anos se passarem, a população pedindo explicação, o ator principal não presta explicação e os outros dois, que poderiam ser os mocinhos da história, permitindo que a situação seja vencida pelo cansaço e lentidão. Isso é um banho de água fria para a população que espera justiça. Se não for uma conivência expressa, ela existe no momento que não tem ação, no momento que não tem celeridade. Nesse escândalo do paletó, temos que pensar que o mandato do prefeito são só quatro anos. Quando a resposta não vem nesses quatro anos, a imagem que passa para a população é de que o crime compensa.

Avalie esta matéria: Gostei +3 | Não gostei







Mais Comentadas