A Quaest divulgou uma nova pesquisa que mostra piora na avaliação do governo Lula em todos os itens avaliados.
A aprovação do governo caiu de 47% em janeiro para 41% agora e a desaprovação subiu de 49% para 56%. Ou seja, o movimento foi consistente e acima da margem de erro.
A pesquisa confirma o que poder-se-ia prever, intensificação da desaprovação. As razões que explicam esse fenômeno já estavam claras e intensificaram-se, como esta nova sondagem confirma.
Há uma percepção generalizada de piora da economia. Para 88% da população os preços dos alimentos subiram no último mês e, para 81%, comparado a um ano atrás, o poder de compra de hoje é menor. Associada a estas variáveis, se soma uma percepção majoritária de que Lula não está conseguindo cumprir suas promessas de campanha (71%).
Quando se analisa os dados de forma segmentada pode-se constatar mudanças agudas nas avaliações da gestão do presidente Lula. Em outubro do ano passado, 69% dos nordestinos aprovavam Lula, para 26% que desaprovavam. Agora são 52% que aprovam para 46% que desaprovam. Considerando os mesmos períodos, de outubro de 24 a março de 25, entre as famílias com renda de até dois salários-mínimos, o percentual de aprovação era idêntico (69%), para 34% de aprovação. Hoje são 52% que aprovam para 45% que desaprovam. Provavelmente, na próxima pesquisa estas retas se cruzam no Nordeste e entre os mais pobres, que sempre foram as principais bases de apoio do lulismo. A mesma tendência ocorre entre as mulheres (que votam majoritariamente em Lula), mas que hoje uma maioria desaprova (53%).
A pesquisa da Quaest mostra que, mesmo entre os eleitores que votaram em Lula em 22, há uma queda significativa na aprovação. Entre os que votaram em branco, nulo ou não votaram a tendência se repete.
Enfim, quem estuda, analisa e acompanha pesquisas de opinião pública sabe que quando o humor do eleitorado muda e uma percepção passa a ser dominante, é muito difícil se conseguir uma reversão desta tendência. Ainda mais quando as opiniões são o reflexo de vivências e comportamentos muito concretos, que impactam diretamente na qualidade de vida das famílias.
É verdade que o governo Lula está trabalhando forte para buscar produzir este movimento e estancar a sangria na imagem. E pode-se constatar que a comunicação da gestão melhorou. Contudo, os números não são nada animadores e apontam fortemente para o contrário. Até porque, como já afirmei em artigo anterior, o problema do governo Lula não é de comunicação e a pesquisa confirma de forma cabal essa assertiva.
Vale a pena, mais uma vez, recorrer a James Carville - "It's the economy, stupid". Se a percepção sobre a economia, a alta dos preços, a capacidade de compra não melhorar, a aprovação vai continuar a cair. É simples assim.
Concluo, colocando para os leitores a pergunta que intitula o artigo: e aí, a gestão do presidente Lula já foi para o brejo? Ou ainda existe salvação?
(*) RODRIGO MENDES é publicitário, sociólogo e cientista político, estrategista de marketing e comunicação pública com 25 anos de experiência, já tendo coordenado 63 campanhas eleitorais e prestado consultoria para diversos governos, instituições e lideranças. Autor dos livros - MARKETING POLÍTICO: O PODER DA ESTRATÉGIA NAS COMPANHAS ELEITORAIS. OS SEGREDOS DA GESTÃO PÚBLICA EFICIENTE. MARKETING ELEITORAL: APRENDENDO COM CAMPANHAS MUNICIPAIS VITORIOSAS e NOVAS ESTRATÉGIAS ELEITORAIS PARA UM NOVO AMBIENTE POLÍTICO.
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